Clusters Criativos
- Cocreare Consultoria

- 20 de mar. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de fev.
Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa
2020

A cultura, enquanto área fundamental das práticas sociais, pode ser compreendida a partir de três dimensões: a econômica, a simbólica e a cidadã. Em sua dimensão simbólica, a cultura congrega as diferentes expressões culturais resultantes da ação criativa da pluralidade de modos de vida dos grupos formadores da nação brasileira. No movimento contínuo e dinâmico dos fazeres culturais, esses grupos têm garantido, pela Constituição Federal, o direito ao acesso, à fruição e à difusão cultural, que caracterizam a dimensão cidadã. Em outra dimensão, a cultura, enquanto elemento fundamental para a coesão social e a consolidação das identidades, configura-se como um setor econômico tão importante quanto qualquer outro, denominado economia criativa.
Existem diversas maneiras de fomentar e incentivar a economia criativa, e uma delas é a formação de clusters criativos. Trata-se da concentração geográfica de empresas, atividades e pessoas do setor criativo, que apresentam potencial para incrementar a economia das cidades por meio da inovação e do investimento em negócios criativos.
Essa ideia vem se disseminando em várias regiões do mundo. Um exemplo é Nairobi, capital do Quênia, onde foi implantado o cluster The GoDown, concebido pela jovem empreendedora Joy Mboya. Aproveitando um espaço urbano anteriormente abandonado, o projeto requalificou a área, criando um ambiente no qual convivem jovens web designers, dançarinos contemporâneos, produtores de televisão, estúdios de música e outros negócios afins. A agregação de energias criativas em um único espaço resultou na promoção do intercâmbio, da colaboração e da geração de negócios.
Outro exemplo é o Centro Metropolitano de Design, em Buenos Aires. Como parte de uma política pública que definiu distritos econômicos na cidade, foram criados clusters temáticos, como os de audiovisual, artes e design.
Há ainda outras modalidades dentro da concepção de interligação e concentração de negócios criativos como estratégia de fortalecimento do setor. Entre elas, destacam-se os arranjos criativos, compostos principalmente por comerciantes e prestadores de serviços criativos. Outros exemplos são os bairros criativos, como a Vila Madalena, em São Paulo, e o Soho, em Londres, onde se observa uma concentração expressiva de atividades artísticas e culturais que movimentam a economia local, gerando trabalho e renda.
Existem alguns elementos fundamentais para que um arranjo criativo ou cluster cultural seja bem-sucedido. O mais importante é a existência de uma classe criativa, formada por grupos de pessoas que se dedicam a gerar valor a partir da criatividade e da cultura. Esse elemento pode ser fortalecido por meio de políticas públicas voltadas à formação e à qualificação profissional no setor. Outro fator relevante é a valorização do potencial do lugar, a partir do diagnóstico e do reconhecimento de seus valores simbólicos, de sua história, identidade e das atividades passíveis de potencialização para a geração de valor. A conectividade também é estratégica, incluindo emissoras de rádio, canais de televisão, jornais e mídias sociais capazes de divulgar iniciativas e conectar pessoas e empresas. Por fim, é imprescindível desenvolver a capacidade de cooperação e articulação. É por meio dela que ocorre o transbordamento do conhecimento, multiplicando competências, conteúdos e técnicas, além de ampliar e difundir os campos de atuação dos envolvidos.

Lilian Rosa




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